sábado, 24 de outubro de 2009

O que meu filho me ensina sobre Deus





"Mãe, Deus é bem inteligente. Ele me pintou de branquinho e pintou você de marronzinho", foi o que meu filho Mateus me disse há duas semanas atrás. E nesses quatro anos de existência, a melhor lição que meu filho já me ensinou (e continua) é sobre a soberania de Deus.

Na semana que ele disse essa frase, Deus estava pegando pesado comigo sobre a soberania Dele. Só que esse é um conceito muito vago para nós que vivemos numa era democrática, do poder do povo pelo povo.

Estou acompanhando a séria The Tudors, sobre a vida de Henrique VII, e tive um vislumbre do que é soberania. O Rei determina o quê, quando e quanto uma pessoa tem (ou deixa de ter), seja títulos, seja riquezas, seja terras.

Quando Deus pediu para eu prestar atenção no quanto meu filho me acha soberana, eu comecei a rir por dentro pensando "o Senhor está bem louco" (sim, eu tenho esse tipo de intimidade com o Todo Poderoso). E como (às vezes) eu sou obediente, deixei que ele me ensinasse sobre Ele, deixando que a minha soberania viesse à tona para que eu entendesse de modo mais paupável o que Ele deseja fazer por mim, sua filha.

O Mateus não se preocupa com quando eu tenho que fazer mercado ou até se eu tenho dinheiro para fazer compras para abastecer minha casa. Ele simplesmente me pede algo para comer ou abre a geladeira ou a despensa e se serve do que tem lá. Meu filho sabe que eu, na minha soberania de mãe, não deixaria NUNCA faltar comida pra ele.

O Mateus também não se preocupa se vai ter roupa para vestir. Ele sabe que ao abrir o guarda-roupa, as roupas estarão lá, porque eu, na minha soberania, sei quando e quanto ele precisa.

O Mateus não se preocupa com o futuro dele. Apesar dele não ter muita noção de tempo, ele sabe que eu, na minha soberania de mãe, quero o melhor pra ele, que vou cuidar de todos os detalhes para que ele seja saudável, feliz, bem-sucedido, pleno, completo...

E percebi que Deus deseja que nós também não tenhamos noção alguma do tempo, porque Ele age no agora, no presente: "não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo" (Mateus 6:34). Ele quer que eu seja, que nós sejamos, como as criancinhas "porque dos tais é o Reino do Céus" (Mateus 19:14) e então percebi o que é ser criança e o que é ser Soberano.

Nenhuma criança amada e bem suprida (natural e emocionalmente) se preocupa com o que vai acontecer. Ela acorda de manhã e vive o dia conforme ele acontece, porque ela sabe que, no Reino do seu Rei, Ele é quem determina o quê, quando e quanto uma pessoa tem ou deixa de ter, seja títulos, seja riquezas, seja terras.


Somos as crianças de Deus. Somos amados e bem supridos. Entender a soberania Dele é fundamental para ter acesso à Corte do nosso Rei Soberano.

"Eis aqui o que eu vi, uma boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque esta é a sua porção.
E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus.
Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração." (Eclesiastes 5:18-20)


Então, eu, Sofia, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo (Salmos 131:2).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Raiva. Muita raiva.



Quem me conhece sabe que a Enxaqueca é uma entidade com vida própria que me aporrinha há pelo menos 20 anos. Fazendo EMDR com a psicóloga e amiga Silvana Faria (http://www.psicologiaevida.com.br/), descobri que uma das causas - em mim - é raiva acumulada. Muita raiva.

Há uma semana tenho tido enxaqueca todos os dias. E ontem, durante a crise, comecei a falar com Deus que, qualquer que fosse a razão de tanta raiva, eu não queria mais sentir. Que não era necessário saber a causa, o motivo, a razão ou a circunstância dela, desde que ela fosse embora. Raiva não é algo que eu quero sentir. Não quero vivê-la.

E Deus me fez perceber que constantemente fico ensaiando discursos mentais de vingança contra as pessoas que já me machucaram, que constantemente tenho sonhos que estou na maior full-fight com alguém, dando socos e pontapés.

E Ele continuou. Disse que a raiva que sinto e guardo é porque, primeiramente, me senti injustiçada em todas aquelas ocasiões, e que todas aquelas pessoas não tinham o direito de fazer comigo o que fizeram.

A raiva, ao contrário do que eu pensava, não é a raiz do mal que sinto. Mas, sim, a injustiça.

Mas não para por aí. Ele ainda disse "quem é que disse que você tem o direito de se sentir injustiçada?" Toda injustiça pressupõe um lado justo sendo vítima "e não há um justo sequer" (Rm 3:10).

Eu não sou melhor ou mais inocente que ninguém. Não tenho direito algum de me sentir injustiçada, porque toda justiça vem de Deus e tudo que há de bom em mim é apenas extensão dEle, que me fez à sua imagem e me deu a sua semelhança em Cristo.

Hoje eu acordei sem enxaqueca.