sexta-feira, 27 de março de 2009

Eternidade Vs. Morte

Para morrer basta estar vivo?


Uma coisa me intriga muito: o medo estarrecedor da morte que permeia a todos. Confesso que mesmo "conhecedora" do que me espera logo após a passagem, fiquei petrificada quando encarei a morte iminente. Minha razão sabe que a minha porção divina aguarda ansiosamente a eternidade, mas meu coração não está preparado para encarar o fim disso aqui que chamo de vida, seja a minha, seja de alguém que amo.


A primeira menção de morte Cor do textona Bíblia é em Gn. 2:17 "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás".


A palavra "morrer" do original hebraico "muwth" (Strong´s #4191) tem alguns significados interessantes e é uma palavra primitiva, não tendo raiz: morrer, matar; ser executado; ser posto à morte; perecer; morrer prematuramente (por negligência).


Morte era uma condição conhecida ou era algo completamente novo para Adão e Eva?


No livro "Além do Planeta Silencioso", de C.S. Lewis, há um diálogo muito interessante entre uma criatura terráquea e uma malacandriana a respeito de como os humanos lidam com a morte: "[vocês] são suficientemente inteligentes para se aperceberam da morte iminente da espécie, mas não suficientemente inteligentes para a aceitarem (...) Nem o membro mais fraco do meu povo receia a morte. É o Maléfico, o Senhor do vosso mundo, quem desperdiça as vossas vidas e lhes deturpa o sentido, levando-os a fugirem do que sabem que no fum, acabará por os subjugar. Se o vosso Senhor fosse Maleldil (Deus), vocês teriam paz (...) Maleldil não criou os hnau (humanos) para viverem eternamente".


A morte como conhecemos, é resultado do pecado. Romanos 5:12 conclui como "essa morte" entrou no mundo: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram"


Pecar, tanto no hebraico (chattah´ah) como no grego (hamantia), tem raízes com o mesmo significado: perder a marca, entre outros. Mas a base da raiz em grego tem um outro significado muito interessante também: "parte constituinte do todo, qualquer particular" - interessante perceber que quando eu perco a marca, na verdade estou priorizando o meu particular, incorrendo no mesmo "comércio" em que Lúcifer incorreu.


Não obstante, é óbvio que não há lugar suficiente na terra que comporte, desde os primórdios, a quantidade de seres humanos nascidos, se todos fossem santos.


E então, acredito que a passagem seria algo como aconteceu com Jesus após sua ressurreição. A "morte" seria uma ascenção, já que sem o pecado, nossos corpos teriam a natureza dupla como a de Jesus ressurreto, com propriedades materiais - como a necessidade de alimentar seu corpo natural- , e propriedades espirituais - como atravessar paredes e movimentar-se instantaneamente como a velocidade da luz.

Dessa maneira, a "morte" não seria um mistério. Não seria um ponto final, apenas uma reticências. Seria a continuação espiritual daquilo que foi feito aqui no mundo da matéria: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap. 21:4).






Acho que é isso...

domingo, 22 de março de 2009

O recomeço

Como minha intenção não é fazer apologia a um assunto, nem ser demagoga, só vou falar daquilo que a páscoa significa pra mim, de verdade, que é a morte e a ressurreição de Jesus. Algumas pessoas não acreditam em Deus. Outras seguem e cultuam outras divindades, mas nenhuma delas põe à prova a existência de Jesus. Então é sobre Ele que eu vou falar, com ou sem chocolate.


"...desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as que estão no céu como as na terra..." (Ef. 1:9-10)



Pensar que o ápice da vinda de Cristo é sua morte é limitar o propósito de Deus para sua criação, há que este fato revela apenas o desejo de Deus em fazer morrer em nós a natureza terrena: "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef. 2:1-5).


Mas o que adianta fazer morrer a natureza terrena e não nos dar uma nova?


Esta nova natureza é decorrente da sua ressurreição que conquistou para nós a posição de seres genuinamente divinos: "e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Ef. 2:6), não por compartilharmos sua essência, mas por adoção: "nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef. 1:5).

Lá atrás, Deus nos criou à sua imagem para que nossos corpos fossem incorruptíveis. Criou-nos à sua imagem para que fôssemos extensão da sua glória. E soprou em nós o Seu Espírito para que tivéssemos domínio sobre a Terra. Esse é o grande mistério da nossa existência e da Sua ressurreição. O recomeço nada mais é do que nos levar de volta à essas três condições de vivência.

Jesus voltou para que o Espírito pudesse habitar em todo ser humano e, dessa maneira, o Reino de Deus fosse implantado em todo o mundo. Esse é o nosso retorno ao Éden, à nossa condição de Reis e Rainhas, de dominadores sobre tudo que existe, conforme Gênesis 1:26.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Começo e o Fim


Desde sempre há uma preocupação com o fim.

A religião atravessou esses dois mil anos desbravando o medo das pessoas pelos acontecimentos futuros, perseguindo e tiranizando o presente como moeda de aceitação divina. Conclusão, pessoas incapazes de exercerem governança sobre suas próprias vidas e sobre este mundo, deixando ao encargo da igreja (e aqui leia-se qualquer credo ou denominação) a condução de suas vidas.

Em parte, tornou-se cômodo para ambas as partes: O medo torna-se poder nas mãos de quem o imputa e exume de culpa a quem é imputado.

Do Apóstolo João a Nostradamus, as revelações Bíblicas sempre exerceram fascínio. Ter o conhecimento dos fatos correndo na linha do tempo ameniza a ansiedade de alguma forma e permeia nossas vidas de poder sobre o rumo da história.

Mas será que a vinda de Jesus tinha o propósito apenas de nos preparar para o Vindouro? Será que seus ensinamentos validaram o presente apenas como tíquete de entrada no Céu? Será que sua vinda, seu vida, sua morte e ressurreição tratam-se e resumem-se à salvação da danação eterna?

A resposta está no início e não no fim.

Como disse na postagem anterior, o propósito de Deus para a humanidade foi determinada na Eternidade, uma dimensão de absolutos. A intenção de Deus de que o homem exercesse domínio sobre o mundo visível não pode mudar porque foi estabelecido no absoluto: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn. 1:26).

Então, por que Deus “expulsou” o homem dessa dimensão? Simplesmente, porque nela não existia a chance de redenção. Numa dimensão de absolutos, uma vez longe de Deus, para sempre longe de Deus; uma vez despido da glória de Deus, para sempre exposto à natureza corruptível; uma vez escolhida o caminho de Lúcifer, para sempre o homem seria escravo dele.

Como disse anteriormente, a palavra "nudez" e a palavra "sagaz" vêm da mesma raiz hebraica('eyrom) que quer dizer "ser sutil, ser sagaz, ser astuto". O homem tornou-se sagaz ao ter uma relação com aquela que era sagaz, a serpente.

A raiz da palavra "serpente"(Hb) significa "aprender por experiência", entre outros significados. Posso dizer então que, aquele que teve a experiência de se tornar sagaz, passou sua semente para o homem dando a ele a sua natureza sagaz.

A “nudez” fez o homem perceber a imutabilidade da sua condição: “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado” (Gn. 3:22-23)

Da mesma forma que Lúcifer não podia se arrepender, o homem também não poderia. A diferença é que Deus nos formou à sua imagem e semelhança. Não éramos simples criaturas, éramos a extensão dEle no mundo visível. Filhos possuidores da Sua natureza.

Permanecendo no Éden após ter escolhido a natureza da serpente, o homem estaria impedido para sempre de exercer o propósito da sua existência: a Governança sobre o mundo visível.

Expulsar-nos de lá foi um ato de amor. Jesus veio para restaurar a posição que perdemos no Éden.


quinta-feira, 19 de março de 2009

O Começo de Tudo


Volta e meia estou de braços dados com o início de tudo. Penso que se eu entender o princípio serei capaz de manipular meu tempo/espaço.

Essa frase tem mesmo o propósito de ser um tanto metafísica porque eu também creio que no princípio a eternidade exercia uma influência diferente sobre nossos corpos do que é hoje em dia.
O começo de tudo parece simples. Um grande Ser poderoso que resolveu compartilhar sua glória, poder e amor com seres bastante corruptos, tacanhos e mesquinhos.

A verdade é que no início, esses seres, apesar da parcela finita que compartilhavam com o Universo, eram revestidos da incorruptibilidade da graça desse Ser e, por vontade e desejo próprios, escolheram despir-se dela e ficarem nus.

"Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si" (Genesis 3:7)

A raiz da palavra "nudez" em hebraico significa "ser sutil, sagaz, astuto".

Eles, literalmente, esvaziaram-se da presença de Deus e perceberam que tinham a natureza da serpente:

"Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito..." (Gn. 3:1).

Mas Deus, em sua maravilhosa graça, recobriu aquela natureza de serperte do homem com o sangue e a pele de cordeiro fazendo menção ao sacrifício de Jesus que viria na plenitude dos tempos: "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu" (Gn. 3:20)
Traçando um paralelo - e correndo o risco de errar assustadoramente - Jesus fez o mesmo movimento, mas com princípios diferentes:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Fl. 2:5-8)

Tanto o homem quanto Jesus escolheram despirem-se da glória de Deus. Um para provar de um poder que já era seu. O Outro para trazer-nos de volta à posição que já era nossa.

Quando o homem esvaziou-se de Deus, passou a ser servo, teve que humilhar-se e teve que ser obediente à natureza da serpente até a morte.

"Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão (...) Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo" (Gl. 3)

Nessa dimensão temporal em que vivemos é impossível despir-se da natureza da serpente, porque a escolha foi feita dentro da eternidade, que é uma dimensão de absolutos. É por isso que o sacrifício de Jesus não anula a natureza carnal, é por isso que "não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim" (Rm. 7:19-20).

Entretanto, existe um ponto importante que não é lembrado: O Propósito do Homem foi determinado antes da sua nudez. Isso quer dizer que ele também foi estabelecido na dimensão de absolutos e, mesmo vivendo na dimensão temporal fora do Éden, ele continua apto a exercer seu propósito:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto." (Gn. 1: 26-31)

A natureza da serpente não é a nossa natureza principal. É a nossa escolha.
Nossa natureza continua sendo divina, mesmo que sem Jesus estejamos vestidos da natureza da serpente.

Escolhendo revestirmo-nos da natureza de Cristo, voltamos à nossa condição original. Esse é o nosso princípio. O começo de tudo.

Abraços.