Uma coisa me intriga muito: o medo estarrecedor da morte que permeia a todos. Confesso que mesmo "conhecedora" do que me espera logo após a passagem, fiquei petrificada quando encarei a morte iminente. Minha razão sabe que a minha porção divina aguarda ansiosamente a eternidade, mas meu coração não está preparado para encarar o fim disso aqui que chamo de vida, seja a minha, seja de alguém que amo.
A primeira menção de morte
na Bíblia é em Gn. 2:17 "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás".A palavra "morrer" do original hebraico "muwth" (Strong´s #4191) tem alguns significados interessantes e é uma palavra primitiva, não tendo raiz: morrer, matar; ser executado; ser posto à morte; perecer; morrer prematuramente (por negligência).
Morte era uma condição conhecida ou era algo completamente novo para Adão e Eva?
No livro "Além do Planeta Silencioso", de C.S. Lewis, há um diálogo muito interessante entre uma criatura terráquea e uma malacandriana a respeito de como os humanos lidam com a morte: "[vocês] são suficientemente inteligentes para se aperceberam da morte iminente da espécie, mas não suficientemente inteligentes para a aceitarem (...) Nem o membro mais fraco do meu povo receia a morte. É o Maléfico, o Senhor do vosso mundo, quem desperdiça as vossas vidas e lhes deturpa o sentido, levando-os a fugirem do que sabem que no fum, acabará por os subjugar. Se o vosso Senhor fosse Maleldil (Deus), vocês teriam paz (...) Maleldil não criou os hnau (humanos) para viverem eternamente".

A morte como conhecemos, é resultado do pecado. Romanos 5:12 conclui como "essa morte" entrou no mundo: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram"
Pecar, tanto no hebraico (chattah´ah) como no grego (hamantia), tem raízes com o mesmo significado: perder a marca, entre outros. Mas a base da raiz em grego tem um outro significado muito interessante também: "parte constituinte do todo, qualquer particular" - interessante perceber que quando eu perco a marca, na verdade estou priorizando o meu particular, incorrendo no mesmo "comércio" em que Lúcifer incorreu.
Não obstante, é óbvio que não há lugar suficiente na terra que comporte, desde os primórdios, a quantidade de seres humanos nascidos, se todos fossem santos.
E então, acredito que a passagem seria algo como aconteceu com Jesus após sua ressurreição. A "morte" seria uma ascenção, já que sem o pecado, nossos corpos teriam a natureza dupla como a de Jesus ressurreto, com propriedades materiais - como a necessidade de alimentar seu corpo natural- , e propriedades espirituais - como atravessar paredes e movimentar-se instantaneamente como a velocidade da luz.
Dessa maneira, a "morte" não seria um mistério. Não seria um ponto final, apenas uma reticências. Seria a continuação espiritual daquilo que foi feito aqui no mundo da matéria: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap. 21:4).
Acho que é isso...

