sexta-feira, 20 de março de 2009

O Começo e o Fim


Desde sempre há uma preocupação com o fim.

A religião atravessou esses dois mil anos desbravando o medo das pessoas pelos acontecimentos futuros, perseguindo e tiranizando o presente como moeda de aceitação divina. Conclusão, pessoas incapazes de exercerem governança sobre suas próprias vidas e sobre este mundo, deixando ao encargo da igreja (e aqui leia-se qualquer credo ou denominação) a condução de suas vidas.

Em parte, tornou-se cômodo para ambas as partes: O medo torna-se poder nas mãos de quem o imputa e exume de culpa a quem é imputado.

Do Apóstolo João a Nostradamus, as revelações Bíblicas sempre exerceram fascínio. Ter o conhecimento dos fatos correndo na linha do tempo ameniza a ansiedade de alguma forma e permeia nossas vidas de poder sobre o rumo da história.

Mas será que a vinda de Jesus tinha o propósito apenas de nos preparar para o Vindouro? Será que seus ensinamentos validaram o presente apenas como tíquete de entrada no Céu? Será que sua vinda, seu vida, sua morte e ressurreição tratam-se e resumem-se à salvação da danação eterna?

A resposta está no início e não no fim.

Como disse na postagem anterior, o propósito de Deus para a humanidade foi determinada na Eternidade, uma dimensão de absolutos. A intenção de Deus de que o homem exercesse domínio sobre o mundo visível não pode mudar porque foi estabelecido no absoluto: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn. 1:26).

Então, por que Deus “expulsou” o homem dessa dimensão? Simplesmente, porque nela não existia a chance de redenção. Numa dimensão de absolutos, uma vez longe de Deus, para sempre longe de Deus; uma vez despido da glória de Deus, para sempre exposto à natureza corruptível; uma vez escolhida o caminho de Lúcifer, para sempre o homem seria escravo dele.

Como disse anteriormente, a palavra "nudez" e a palavra "sagaz" vêm da mesma raiz hebraica('eyrom) que quer dizer "ser sutil, ser sagaz, ser astuto". O homem tornou-se sagaz ao ter uma relação com aquela que era sagaz, a serpente.

A raiz da palavra "serpente"(Hb) significa "aprender por experiência", entre outros significados. Posso dizer então que, aquele que teve a experiência de se tornar sagaz, passou sua semente para o homem dando a ele a sua natureza sagaz.

A “nudez” fez o homem perceber a imutabilidade da sua condição: “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado” (Gn. 3:22-23)

Da mesma forma que Lúcifer não podia se arrepender, o homem também não poderia. A diferença é que Deus nos formou à sua imagem e semelhança. Não éramos simples criaturas, éramos a extensão dEle no mundo visível. Filhos possuidores da Sua natureza.

Permanecendo no Éden após ter escolhido a natureza da serpente, o homem estaria impedido para sempre de exercer o propósito da sua existência: a Governança sobre o mundo visível.

Expulsar-nos de lá foi um ato de amor. Jesus veio para restaurar a posição que perdemos no Éden.


Um comentário:

Anônimo disse...

Olá Sofia.
Que Deus continue te usando para expressar o seu amor e o seu poder.
Muito lindo o que você escreveu.
Sinto orgulho de ter uma filha como vc.
Te amo.