segunda-feira, 27 de julho de 2009

O começo por outra ótica



"Por isso, quis que os corações dos Homens procurassem para além do mundo e não encontrassem nele nenhum repouso, mas possuíssem a virtude de moldar a sua vida, enre os poderes e os acasos do mundo, para lá da música dos Ainur, que é como o destino para todas as outras coisas; e do seu procedimento tudo seria, em forma e ação, completado e o mundo cumprido até ao último e mais ínfimo dos pormenores.

"Mas Ilúvatar sabia que os Homens, colocados entre as convulsões dos poderes do mundo, frequentemente se desviariam do caminho e não utilizariam os seus dons de harmonia; então disse: 'Também estes a seu tempo descobrirão que tudo quanto fizeram redundará no fim somente para a glória do meu trabalho'. No entanto, os Elfos creem que os Homens são muitas vezes um tormento para Manwë, que conhece quase todos os pensamentos de Ilúvatar, pois parece aos Elfos que os Homens se assemelham a Melkor, mais do que todos os Ainur, embora ele os tenha sempre receado e odiado, mesmo o que o serviram.

"É de acordo com este dom de liberdade que os filhos dos Homens só habitam vivos no mundo um curto espaço e não estão presos a ele; partem em breve, para onde não é do conhecimento dos Elfos (...) Mas os filhos dos Homens morrem deveras e deixam o mundo, razão pela qual são chamados Hóspedes, ou Estrangeiros. A morte é o seu destino, o dom de Ilúvatar, a morte que, à medidade que o tempo passa, a´te os poderes invejarão. Mas Melkor lançou sobre ela a sua sombra e confundiu-a com escuridão e do bem engendrou o mal e da esperança o medo. Contudo, os Homens se juntarão à segunda música dos Ainur..."

J.R.R. Tolkien, "O Silmarillion"

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Que céu, que nada. O negócio é ficar aqui!


Prometer o céu para uma pessoa que já vive um inferno na terra é totalmente cruel e alienador. Para quê prometer o céu pós-vida para alguém que está vivendo condenação e morte aqui e agora?

Condenação e vida eterna são estados, não, lugares. O tal “céu” que todos anseiam não é um lugar, é um estado! Assim como gelo não deixa de ser água só porque deixou o estado líquido para o sólido. Podem até ter nomes diferentes, podem até sofrer um processo físico para deixar um estado e passar para o outro, mas gelo é água. E continuará sendo. Independente do que você pensar, ou da definição que quiser dar, existem leis que não mudam. A da condenação e da vida eterna também é uma lei.

As pessoas estão esperando ir para o céu enquanto Deus está “empurrando-as” para a terra. A intenção original de Deus é que pudéssemos reinar aqui e agora. Eis onde mora um dos piores mal entendidos da religião: ela tem nos impulsionado há milênios a projetar nosso sentimento de plenitude para o pós-vida terrena, como se estivéssemos condenados a viver uma vida miserável na terra enquanto aguardamos a plenitude da vida eterna depois de “desencarnarmos”.

Sim, estamos mesmo condenados a uma vida miserável na terra, mas só até entendermos a mensagem de Jesus, ouvindo e crendo, e trazendo o Reino de Deus para cá. Só assim estaremos aptos a vivermos a plenitude da vida eterna aqui e agora.

A vida eterna não é consequência pós-vida terrena. Precisamos entender que a morte deste corpo material é só uma desencarnação, é o processo de despir-se da roupagem necessária para estar nessa dimensão material. Por isso é tão importante que cuidemos do nosso corpo material. Ele é a conexão que temos com o mundo material para reinarmos nele e sobre ele. Sem um corpo material não temos legitimidade sobre essa terra.

A vida eterna é agora, assim como a condenação é agora. Se Deus desejasse que o homem habitasse em um mundo totalmente espiritual como o pregado pela religião, ele não teria criado um mundo material e colocado o homem num corpo material para viver nele.

A vida eterna não tem conotação apenas de “infinita”, mas principalmente de absoluta. Na eternidade não existem o tempo e o espaço, os dois principais fatores que interferem na plenitude de um ser humano. Entendo que o “tempo” foi criado para o homem nessa dimensão para a contagem dos dias, para a gestão da terra e das estações, mas jamais teve o intuito de ser um maximizador da ansiedade.

Quando Jesus diz “não vos preocupeis com o dia de amanhã” está tocando no cerne da questão. Ele não deseja que tenhamos domínio sobre o tempo, sobre a eternidade, assim como não deseja que tenhamos domínio sobre outro da nossa espécie. Por isso, preocupar-nos com o futuro – ou ficarmos remoendo o passado – não faz parte do que Deus pretende para nós. O tempo foi feito em nossa função, mas de nenhuma forma criado para nossa gestão.

Ao contrário do tempo, o espaço foi feito para nossa administração. O espaço diz respeito ao nosso ambiente, a terra onde vivemos e seus recursos – o cerne de Gênesis 1:26. O mandato original de Deus para nós era que reinássemos sobre a terra, tendo domínio para geri-la de forma consciente, respeitosa e responsável, expandindo os limites desse reino até os confins da terra (mandato também dado por Jesus aos seus discípulos: “ide por todo mundo”).

Portanto, vida eterna, na verdade, é vida absoluta, ou constante, ou sem interferências externas. Sem influência do tempo sobre o espaço, pois tal influência deve ser exercida por nós, filhos do Rei. Sendo assim, a condenação é viver uma vida à margem do proposto pelo nosso Pai, no início de tudo.

É completamente inconcebível prometer uma vida pós-morte de plenitude, enquanto a vida aqui nesta terra é insuportável. Que alívio ou que conforto traz saber que existe uma vida pós-morte ao lado de um Deus benevolente e justo, se a dor de continuar vivo nessa terra é excruciante?
A promessa de uma vida eterna pós-morte não minimiza a condenação diária de pessoas. Viver o Reino, põe termo nela.

João 5:24 – Quem ouve e crê tem a vida eterna...

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