domingo, 16 de agosto de 2009

Deixe Deus dormir. (republicação corrigida)


Deus não é todo poderoso.

Não que isso signifique que Ele não possa ou não consiga fazer o que bem entender, na hora que quiser, da maneira que desejar. Mas porque o nosso livre-arbítrio(1) O impede de sê-lo. E Ele desejou que assim o fosse.

Imagine se nós tivéssemos sido introduzidos em mundo onde todas as coisas funcionassem da maneira como apenas uma pessoa quer. Algum tipo de totalitarismo repressor que impedisse a manifestação das nossas vontades, desejos e pensamentos, que impedisse de maneira potentosa as manifestações da nossa individualidade.

Para que exista um ser todo poderoso é preciso que existam seres impotentes e ignóbeis, pois subentende-se que este ser todo poderoso tomará conta de tudo sem que possamos intervir em absolutamente nada. E se fosse assim, a criação de seres conscientes, pensantes e criativos seria uma estupidez indizível.

Mas é assim que tratamos Deus. Queremos que Ele haja de maneira onipotente sobre nossas vidas e nossa história. Desejamos que Ele tome o controle do nossos barco e mande a tempestade parar.

Leia esta passagem de Mateus 8:23-27:

"E entranto ele no barco, seus discípulos o seguiram; e eis que se levantou no mar uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.

E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! Que perecemos.

E ele lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.

E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?"

Jesus estava dormindo. Ele entrou em descanso assim como Deus o fez no sétimo dia da criação. E por quê? Simplesmente Ele havia repassado seu domínio e autoridade e poder para mim e para você. Ele só levanta quando a nossa incapacidade fala mais alto que o propósito da nossa existência. Deus disse "posso descansar porque agora vocês vão tomar conta do que eu criei".

Ninguém está nesse barco a passeio. O leme e o poder de controlar a história está em nossas mãos.
Então, faça-nos um favor: Deixe Deus dormir.
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(1) Livre-arbítrio: Arbitrar é o ato de julgar, decidir, sentenciar. Ou seja, determinar o que é certo ou errado, bom ou mal etc.
Se Deus tivesse nos dado livre-arbítrio, Ele teria nos reservado o direito, dever e poder de julgar, ou seja, de tomar seu lugar absoluto e soberano.
Ao contrário, Deus nos deu livre-escolha para decidirmos entre as coisas que Ele arbitrou desde o início.
De qualquer forma, é o nosso livre-arbítrio, aquele que achamos que temos o direito de ter, que impede Deus de ser Todo Poderoso. E é a nossa livre-escolha que não nos permite exercer o propósito da nossa existência.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O mal que habita em mim



Às vezes Deus fala algumas coisas pra mim que eu fico com receio de postar. Depois de um mês e meio sem enxaqueca, ela me visitou e não ficou feliz em me deixar depois de uma boa noite de sono: teimou por 24h seguidas.

Mais uma vez eu fui para o meu lugar secreto e chamei Deus para uma conversa... e, claro, pedi para ele levar aquela dor embora. Aconteceu o óbvio: absolutamente nada. E o pior! Ele simplesmente disse "não posso fazê-la sumir porque não é responsabilidade minha. Você é responsável pelo mal que acontece consigo. Dentro do seu reino, Eu não posso fazer nada". E eu fiquei indignadíssima. Como Ele, todo poderoso, Senhor soberano do universo inteiro pôde dizer que eu sou responsável por todo o mal que acontece comigo?

Sim, o homem é responsável pelo mal que o acomete.

E os poderes espirituais do mal? É claro que eles existem, mas sem eu e você, sua influência é apenas uma força latente, que está oculta, esperando a manifestação material de si mesma. E a tal manifestação material depende de mim e de você que habitamos essa dimensão material.

Exemplo clássico: Gênesis 3. O mal personificado na serpente era apenas uma força latente influenciando Eva. Para que o mal existisse nessa dimensão, Eva teve que fazer com que aquela ideia potencial se tornasse uma ação real. A ideia de comer do fruto teve que passar à ação de comer o fruto. Eva causou seu próprio mal.

Se existem coisas ruins acontecendo no mundo, os responsáveis somos eu e você. Não adianta imputar responsabilidade sobre os poderes espirituais do mal, se o mal que existe no mundo é consequência do mal que subsiste em nós, consequência da nossa distância do bem que exite em Deus. Esse mundo foi criado e outorgado a nós para que pudéssemos conquistá-lo, estabelecendo o Reino de Deus, que está nos céus, aqui.

Imagine que eu quisesse culpar a Inglaterra pelo fracasso brasileiro. Mesmo que ela tenha coagido a família real portuguesa a fugir de Portugal, o Brasil não é colônia inglesa, não é sequer responsabilidade dos portugueses, porque esta é uma nação que declarou sua independência! Da mesma forma, nós fomos influenciados e declaramos nossa independência da nossa nação-mãe, o Reino dos Céus, declaramos nossa total autonomia de Deus, mas continuamos responsabilizando-O por todo o mal que acontece conosco. E quando não é isso, culpamos o inferno, uma terceira nação, que pode até influenciar, mas não pode tornar nenhuma ideia potencial em ação real.

Conclusão: aquela enxaqueca era responsabilidade minha e consequência do mal que eu escolhi para mim, ao administrar mal minha raiva. E de todos os maus que pude trazer ao mundo material, acho que esse é o menor.


E você?




quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre o que somos e outras coisas


Deus tem um tremendo cuidado com suas abordagens quando conversa com a gente, e Ele sempre conversa de igual pra igual comigo... comigo. Ele sabe que eu gosto que olhem nos meus olhos, e quando Ele faz isso comigo, quando Ele desce do trono dele pra conversar comigo ou me pega no colo pra falar na minha linguagem, com as palavras e da maneira que eu entendo, percebo o imenso cuidado e o amor infinito dele por mim.

Essa semana ouvi algo que eu já sabia, mas mas foi ótimo relembrar: Deus não dá a mínima para o que eu penso sobre mim mesma. Apesar de parecer contraditório ao parágrafo supra citado, na verdade, é um complemento; Ele fala na minha linguagem, mas não me trata como eu desejo ser tratada.

Vou explicar. A maneira como eu me trato, como eu me vejo, ou como eu desejo ser amada, por melhor que seja, é infinita e insuportavelmente menor do quanto Ele me ama e do que planejou na eternidade para mim. Se Deus se preocupasse com a maneira como eu me sinto a respeito de mim mesma, Ele gastaria toda a eternidade tentando provar o amor dele ao invés de demontrá-lo.

Você já conheceu alguém que por mais que demonstrasse amor, parecia que nunca estava satisfeito? Justamente. Essa pessoa desejava que você a visse da maneira como ela se via. Se Deus nos visse da maneira como nos vemos, nós nunca ficaríamos satisfeitos. É por isso que Ele nem se preocupa com isso. Antes, Ele nos vê da maneira como Ele nos criou: PERFEITOS. E nos trata assim.

Se Deus visse Gideão da maneira como ele mesmo se via, teria falado com ele assim: "ô, seu vermezinho, venha cá que eu quero usá-lo". Ao contrário, assentou-se debaixo de um carvalho e disse: "O Senhor é contigo, homem valente", mas como Gideão se sentia um vermezinho, respondeu assim: "Ai, ai, Senhor, se você estivesse conosco (Deus falou só com ele e ele inclui a família toda), por que é que estamos passando tanto perrengue? Cadê todas aquelas promessas que o Senhor nos fez? (Deus chegou elogiando e Gideão deu o maior esculacho nEle)" (veja Juízes 6:11-40).

Mas Deus, que não via Gideão da maneira como ele mesmo se via, continuou falando: "Vai do jeito que você é e liberta Israel, já que Eu, euzinho, estou com você..."


Got it?