sábado, 24 de outubro de 2009

O que meu filho me ensina sobre Deus





"Mãe, Deus é bem inteligente. Ele me pintou de branquinho e pintou você de marronzinho", foi o que meu filho Mateus me disse há duas semanas atrás. E nesses quatro anos de existência, a melhor lição que meu filho já me ensinou (e continua) é sobre a soberania de Deus.

Na semana que ele disse essa frase, Deus estava pegando pesado comigo sobre a soberania Dele. Só que esse é um conceito muito vago para nós que vivemos numa era democrática, do poder do povo pelo povo.

Estou acompanhando a séria The Tudors, sobre a vida de Henrique VII, e tive um vislumbre do que é soberania. O Rei determina o quê, quando e quanto uma pessoa tem (ou deixa de ter), seja títulos, seja riquezas, seja terras.

Quando Deus pediu para eu prestar atenção no quanto meu filho me acha soberana, eu comecei a rir por dentro pensando "o Senhor está bem louco" (sim, eu tenho esse tipo de intimidade com o Todo Poderoso). E como (às vezes) eu sou obediente, deixei que ele me ensinasse sobre Ele, deixando que a minha soberania viesse à tona para que eu entendesse de modo mais paupável o que Ele deseja fazer por mim, sua filha.

O Mateus não se preocupa com quando eu tenho que fazer mercado ou até se eu tenho dinheiro para fazer compras para abastecer minha casa. Ele simplesmente me pede algo para comer ou abre a geladeira ou a despensa e se serve do que tem lá. Meu filho sabe que eu, na minha soberania de mãe, não deixaria NUNCA faltar comida pra ele.

O Mateus também não se preocupa se vai ter roupa para vestir. Ele sabe que ao abrir o guarda-roupa, as roupas estarão lá, porque eu, na minha soberania, sei quando e quanto ele precisa.

O Mateus não se preocupa com o futuro dele. Apesar dele não ter muita noção de tempo, ele sabe que eu, na minha soberania de mãe, quero o melhor pra ele, que vou cuidar de todos os detalhes para que ele seja saudável, feliz, bem-sucedido, pleno, completo...

E percebi que Deus deseja que nós também não tenhamos noção alguma do tempo, porque Ele age no agora, no presente: "não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo" (Mateus 6:34). Ele quer que eu seja, que nós sejamos, como as criancinhas "porque dos tais é o Reino do Céus" (Mateus 19:14) e então percebi o que é ser criança e o que é ser Soberano.

Nenhuma criança amada e bem suprida (natural e emocionalmente) se preocupa com o que vai acontecer. Ela acorda de manhã e vive o dia conforme ele acontece, porque ela sabe que, no Reino do seu Rei, Ele é quem determina o quê, quando e quanto uma pessoa tem ou deixa de ter, seja títulos, seja riquezas, seja terras.


Somos as crianças de Deus. Somos amados e bem supridos. Entender a soberania Dele é fundamental para ter acesso à Corte do nosso Rei Soberano.

"Eis aqui o que eu vi, uma boa e bela coisa: comer e beber, e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, em que trabalhou debaixo do sol, todos os dias de vida que Deus lhe deu, porque esta é a sua porção.
E a todo o homem, a quem Deus deu riquezas e bens, e lhe deu poder para delas comer e tomar a sua porção, e gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus.
Porque não se lembrará muito dos dias da sua vida; porquanto Deus lhe enche de alegria o seu coração." (Eclesiastes 5:18-20)


Então, eu, Sofia, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo (Salmos 131:2).

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Raiva. Muita raiva.



Quem me conhece sabe que a Enxaqueca é uma entidade com vida própria que me aporrinha há pelo menos 20 anos. Fazendo EMDR com a psicóloga e amiga Silvana Faria (http://www.psicologiaevida.com.br/), descobri que uma das causas - em mim - é raiva acumulada. Muita raiva.

Há uma semana tenho tido enxaqueca todos os dias. E ontem, durante a crise, comecei a falar com Deus que, qualquer que fosse a razão de tanta raiva, eu não queria mais sentir. Que não era necessário saber a causa, o motivo, a razão ou a circunstância dela, desde que ela fosse embora. Raiva não é algo que eu quero sentir. Não quero vivê-la.

E Deus me fez perceber que constantemente fico ensaiando discursos mentais de vingança contra as pessoas que já me machucaram, que constantemente tenho sonhos que estou na maior full-fight com alguém, dando socos e pontapés.

E Ele continuou. Disse que a raiva que sinto e guardo é porque, primeiramente, me senti injustiçada em todas aquelas ocasiões, e que todas aquelas pessoas não tinham o direito de fazer comigo o que fizeram.

A raiva, ao contrário do que eu pensava, não é a raiz do mal que sinto. Mas, sim, a injustiça.

Mas não para por aí. Ele ainda disse "quem é que disse que você tem o direito de se sentir injustiçada?" Toda injustiça pressupõe um lado justo sendo vítima "e não há um justo sequer" (Rm 3:10).

Eu não sou melhor ou mais inocente que ninguém. Não tenho direito algum de me sentir injustiçada, porque toda justiça vem de Deus e tudo que há de bom em mim é apenas extensão dEle, que me fez à sua imagem e me deu a sua semelhança em Cristo.

Hoje eu acordei sem enxaqueca.

domingo, 6 de setembro de 2009

Como assim onipresente?


Minha amiga Anna Kau, queridíssima, postou o seguinte comentário sobre a postagem "Deixe Deus dormir":

"Estou começando a ver como colocamos Deus fora da gente. Veja só: até quando nos despedimos, dizemos "fica com Deus", como se fosse realmente possível Ele estar fora e precisar ser colocado dentro. Sempre se diz que devemos ter Deus no coração, que nosso corpo é Seu templo, mas na verdade estamos sempre tratando e falando dele como se estivesse fora. Quanto mais penso sobre isso, mais percebo o quanto Ele esteve e está aqui, o tempo todo, não comigo, mas EM MIM, não contigo, mas EM TI!"

Nem preciso dizer o quanto é real, reveladora e assustadora essa verdade. Quando pensamos em Deus como alguém onipresente, pensamos nos lugares que Ele pode estar ao mesmo tempo, por isso, sempre desejamos estar com Ele. Alguém que pode estar comigo, ou com você em todos os momentos das nossas vidas, em qualquer lugar que estejamos.

Mas o que quero dizer aqui é que "presença" não se trata de espaço, de lugar, de aqui e acolá. Trata-se de "existência", da existência de Deus em mim - do verbo SER e não do verbo ESTAR.

Se penso em Deus como alguém que ESTÁ comigo, isso quer dizer que, eventualmente, eu posso deixar de estar com Ele. Posso desejar que a presença dele não esteja próxima à minha presença. Posso até presumir que Ele está em um lugar que eu não consigo alcançar, ou até entender que eu até posso estar em lugares onde Ele nunca estaria.

Mas se penso que Deus "é" em mim, deixo de ser uma entidade separada dele, para viver submersa nEle e Ele em mim. É uma fusão. [Por isso o sexo é tão bonito, sagrado e completo, pois nesse ato, dois corpos, espíritos e almas estão se fundindo - e essa experiência, que deveria ser a mais próxima daquilo que acontece entre nós e Deus, muitas vezes, é a que mais nos afasta dele].

Quando Deus diz a primeira vez "Eu sou o que sou", no original hebraico "hayah hayah", todo o sentido está em ser, existir. Como disse na postagem anterior, o nome é idêntico ao ser que ele designa. Seria mais ou menos isso: Meu nome é Sofia, e significa "sabedoria" em grego. Eu deveria, portanto, ser a personificação da sabedoria - mas não sou.

E como seria então a personficação do verbo SER? "Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. (...) porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, que sobre a terra, quer nos céus. E a vóz outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpor da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis..." (Cl 1:13-22).

Eu sou a personificação de Deus - ou pelo menos caminho para o alvo. Não quero ser um "corpo estranho" dentro de Deus, e não quero que Ele se sinta assim dentro de mim.

Quero que o meu "é" seja uma coisa só com o "é" dele... se é que me entende....

sábado, 5 de setembro de 2009

Então orareis assim:



"Pai nosso dos céus(1), teu nome (2) se consagra (3),
teu reino vem, tua vontade se faz, como nos céus na terra também (4)
Dá-nos hoje nossa parte de pão (5).
Perdoa-nos nossas dívidas (6),
uma vez que nós as perdoamos a nossos devedores (7).
Não nos faças entrar em provação,
mas livra-nos do crime"


Essa é a tradução literal do hebraico falado por Jesus, traduzido e escrito em grego por Mateus em seu evangelho (Mt. 6:9-13), e trazido até nós por Andre Chouraqui, poeta, ensaísta e tradutor da Bíblia e do Alcorão.

Eu fiz um resumo dos comentários de Chouraqui e os transcrevi aqui, e são interessantíssimas as diferenças de tradução e de interpretação que nos "perseguiu" esses séculos todos. Que esses comentários tragam luz, dicernimento e mudança na sua vida.

(1) Pai nosso dos céus: "Céus", como conhecido por nós, pertence ao vocabulário religioso, onde tem uma nuance afetiva ausente no hebraico que os designa na multiplicidade real de seus aspectos materiais e espirituais. [Não é, portanto, um lugar etéreo, mas um Reino].

(2) Teu nome: para todo hebreu, o nome é idêntico ao ser que ele designa. Aqui, IHVH Elohîms (o criador dos céus e da terra).

(3) se consagra: A prece não consiste em santificar o nome de IHVH (quem poderia fazê-lo?), mas em afirmar por to de fé que este nome é, nele mesmo, por si mesmo, consagrado. A prece é, assim, de essência messiânica e evoca também o dia de IHVH, aquele em que IHVH se consagra universalmente Rei do céus e da terra. Os dois atos de fé seguintes exprimem isso admiravelmente, falando da vinda certa do reino de IHVH e do reinado de sua vontade em um mundo tornado perfeito pelo casamento do céus e da terra.

(4) teu reino vem, tua vontade se faz, como nos céus na terra também: O verbo está aqui num tempo não cumprido. O hebraico não distingue entre o passado, presente e o futuro, menos ainda entre os múltiplos tempos dos verbos gregos [e do português]. O verbo hebraico, intemporal, ou melhor, onitemporal, se fundamenta no dinamismo do movimento que descreve, sendo cumprido (perfeito) ou não-cumprido (imperfeito). Aqui o imperfeito designa uma ação que ainda não terminou, ainda não foi cumprida, e que se desenvolve no tempo e no espaço num vir a ser. Daí o emprego aqui do presente, ao mesmo tempo histórico e profético, que expressa mais que um desejo, uma certeza de essência messiânica: a consagração do nome IHVH, sua sacralidade bem como a vinda de seu reino. O cumprimento de sua vontade foi e é em todos os tempos, o que exprime bem a forma verbal empregada em hebraico.

(5) Dá-nos hoje: As noções de dádiva e de tempo estão ligadas aqui. Só IHVH sabe não apenas o que é necessário a cada um, mas também quando ele deve receber. É nisso que ele é matricial.
Nossa parte de pão: A incerteza do grego permite ler léhem houquénou: "nossa parte de pão", "aquela que decidiste nos dar", interpretação mais satisfatória que a redundância: "hoje nosso pão deste dia".

(6) Perdoa-nos nossas dívidas: Trata-se do que o homem deve a Elohîms e aos outros homens (...) O versículo afirma a idéia de que no reino de IHVH ninguém deve nada a ninguém [pois tudo é dele] Elohîms não exige nada de ninguém, na plenitude real de sua glória.

(7) Não nos faça entrar em provação: O termo hebraico que está por trás desta expressão significa muito claramente "provação" e não "tentação". Seu primeiro emprego é em Gn 22:1: IHVH põe à prova Abrahâm, e ele não o tenta de modo algum ao lhe propor sacrificar seu filho. (...) A provação está em todos os instantes e desejamos não nos submeter a ela. Este desejo traz consigo o pedido de ser socorrido contra o criminoso, trate-se do inimigo íntimo, presente nos instintos e nos desejos, ou da potência da morte que ameaça esmagar a pessoa, o país e o mundo.

domingo, 16 de agosto de 2009

Deixe Deus dormir. (republicação corrigida)


Deus não é todo poderoso.

Não que isso signifique que Ele não possa ou não consiga fazer o que bem entender, na hora que quiser, da maneira que desejar. Mas porque o nosso livre-arbítrio(1) O impede de sê-lo. E Ele desejou que assim o fosse.

Imagine se nós tivéssemos sido introduzidos em mundo onde todas as coisas funcionassem da maneira como apenas uma pessoa quer. Algum tipo de totalitarismo repressor que impedisse a manifestação das nossas vontades, desejos e pensamentos, que impedisse de maneira potentosa as manifestações da nossa individualidade.

Para que exista um ser todo poderoso é preciso que existam seres impotentes e ignóbeis, pois subentende-se que este ser todo poderoso tomará conta de tudo sem que possamos intervir em absolutamente nada. E se fosse assim, a criação de seres conscientes, pensantes e criativos seria uma estupidez indizível.

Mas é assim que tratamos Deus. Queremos que Ele haja de maneira onipotente sobre nossas vidas e nossa história. Desejamos que Ele tome o controle do nossos barco e mande a tempestade parar.

Leia esta passagem de Mateus 8:23-27:

"E entranto ele no barco, seus discípulos o seguiram; e eis que se levantou no mar uma tempestade, tão grande que o barco era coberto pelas ondas; ele, porém, estava dormindo.

E os seus discípulos, aproximando-se, o despertaram, dizendo: Senhor, salva-nos! Que perecemos.

E ele lhes disse: Por que temeis, homens de pouca fé? Então, levantando-se, repreendeu os ventos e o mar, e seguiu-se uma grande bonança.

E aqueles homens se maravilharam, dizendo: Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?"

Jesus estava dormindo. Ele entrou em descanso assim como Deus o fez no sétimo dia da criação. E por quê? Simplesmente Ele havia repassado seu domínio e autoridade e poder para mim e para você. Ele só levanta quando a nossa incapacidade fala mais alto que o propósito da nossa existência. Deus disse "posso descansar porque agora vocês vão tomar conta do que eu criei".

Ninguém está nesse barco a passeio. O leme e o poder de controlar a história está em nossas mãos.
Então, faça-nos um favor: Deixe Deus dormir.
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(1) Livre-arbítrio: Arbitrar é o ato de julgar, decidir, sentenciar. Ou seja, determinar o que é certo ou errado, bom ou mal etc.
Se Deus tivesse nos dado livre-arbítrio, Ele teria nos reservado o direito, dever e poder de julgar, ou seja, de tomar seu lugar absoluto e soberano.
Ao contrário, Deus nos deu livre-escolha para decidirmos entre as coisas que Ele arbitrou desde o início.
De qualquer forma, é o nosso livre-arbítrio, aquele que achamos que temos o direito de ter, que impede Deus de ser Todo Poderoso. E é a nossa livre-escolha que não nos permite exercer o propósito da nossa existência.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O mal que habita em mim



Às vezes Deus fala algumas coisas pra mim que eu fico com receio de postar. Depois de um mês e meio sem enxaqueca, ela me visitou e não ficou feliz em me deixar depois de uma boa noite de sono: teimou por 24h seguidas.

Mais uma vez eu fui para o meu lugar secreto e chamei Deus para uma conversa... e, claro, pedi para ele levar aquela dor embora. Aconteceu o óbvio: absolutamente nada. E o pior! Ele simplesmente disse "não posso fazê-la sumir porque não é responsabilidade minha. Você é responsável pelo mal que acontece consigo. Dentro do seu reino, Eu não posso fazer nada". E eu fiquei indignadíssima. Como Ele, todo poderoso, Senhor soberano do universo inteiro pôde dizer que eu sou responsável por todo o mal que acontece comigo?

Sim, o homem é responsável pelo mal que o acomete.

E os poderes espirituais do mal? É claro que eles existem, mas sem eu e você, sua influência é apenas uma força latente, que está oculta, esperando a manifestação material de si mesma. E a tal manifestação material depende de mim e de você que habitamos essa dimensão material.

Exemplo clássico: Gênesis 3. O mal personificado na serpente era apenas uma força latente influenciando Eva. Para que o mal existisse nessa dimensão, Eva teve que fazer com que aquela ideia potencial se tornasse uma ação real. A ideia de comer do fruto teve que passar à ação de comer o fruto. Eva causou seu próprio mal.

Se existem coisas ruins acontecendo no mundo, os responsáveis somos eu e você. Não adianta imputar responsabilidade sobre os poderes espirituais do mal, se o mal que existe no mundo é consequência do mal que subsiste em nós, consequência da nossa distância do bem que exite em Deus. Esse mundo foi criado e outorgado a nós para que pudéssemos conquistá-lo, estabelecendo o Reino de Deus, que está nos céus, aqui.

Imagine que eu quisesse culpar a Inglaterra pelo fracasso brasileiro. Mesmo que ela tenha coagido a família real portuguesa a fugir de Portugal, o Brasil não é colônia inglesa, não é sequer responsabilidade dos portugueses, porque esta é uma nação que declarou sua independência! Da mesma forma, nós fomos influenciados e declaramos nossa independência da nossa nação-mãe, o Reino dos Céus, declaramos nossa total autonomia de Deus, mas continuamos responsabilizando-O por todo o mal que acontece conosco. E quando não é isso, culpamos o inferno, uma terceira nação, que pode até influenciar, mas não pode tornar nenhuma ideia potencial em ação real.

Conclusão: aquela enxaqueca era responsabilidade minha e consequência do mal que eu escolhi para mim, ao administrar mal minha raiva. E de todos os maus que pude trazer ao mundo material, acho que esse é o menor.


E você?




quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Sobre o que somos e outras coisas


Deus tem um tremendo cuidado com suas abordagens quando conversa com a gente, e Ele sempre conversa de igual pra igual comigo... comigo. Ele sabe que eu gosto que olhem nos meus olhos, e quando Ele faz isso comigo, quando Ele desce do trono dele pra conversar comigo ou me pega no colo pra falar na minha linguagem, com as palavras e da maneira que eu entendo, percebo o imenso cuidado e o amor infinito dele por mim.

Essa semana ouvi algo que eu já sabia, mas mas foi ótimo relembrar: Deus não dá a mínima para o que eu penso sobre mim mesma. Apesar de parecer contraditório ao parágrafo supra citado, na verdade, é um complemento; Ele fala na minha linguagem, mas não me trata como eu desejo ser tratada.

Vou explicar. A maneira como eu me trato, como eu me vejo, ou como eu desejo ser amada, por melhor que seja, é infinita e insuportavelmente menor do quanto Ele me ama e do que planejou na eternidade para mim. Se Deus se preocupasse com a maneira como eu me sinto a respeito de mim mesma, Ele gastaria toda a eternidade tentando provar o amor dele ao invés de demontrá-lo.

Você já conheceu alguém que por mais que demonstrasse amor, parecia que nunca estava satisfeito? Justamente. Essa pessoa desejava que você a visse da maneira como ela se via. Se Deus nos visse da maneira como nos vemos, nós nunca ficaríamos satisfeitos. É por isso que Ele nem se preocupa com isso. Antes, Ele nos vê da maneira como Ele nos criou: PERFEITOS. E nos trata assim.

Se Deus visse Gideão da maneira como ele mesmo se via, teria falado com ele assim: "ô, seu vermezinho, venha cá que eu quero usá-lo". Ao contrário, assentou-se debaixo de um carvalho e disse: "O Senhor é contigo, homem valente", mas como Gideão se sentia um vermezinho, respondeu assim: "Ai, ai, Senhor, se você estivesse conosco (Deus falou só com ele e ele inclui a família toda), por que é que estamos passando tanto perrengue? Cadê todas aquelas promessas que o Senhor nos fez? (Deus chegou elogiando e Gideão deu o maior esculacho nEle)" (veja Juízes 6:11-40).

Mas Deus, que não via Gideão da maneira como ele mesmo se via, continuou falando: "Vai do jeito que você é e liberta Israel, já que Eu, euzinho, estou com você..."


Got it?

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O começo por outra ótica



"Por isso, quis que os corações dos Homens procurassem para além do mundo e não encontrassem nele nenhum repouso, mas possuíssem a virtude de moldar a sua vida, enre os poderes e os acasos do mundo, para lá da música dos Ainur, que é como o destino para todas as outras coisas; e do seu procedimento tudo seria, em forma e ação, completado e o mundo cumprido até ao último e mais ínfimo dos pormenores.

"Mas Ilúvatar sabia que os Homens, colocados entre as convulsões dos poderes do mundo, frequentemente se desviariam do caminho e não utilizariam os seus dons de harmonia; então disse: 'Também estes a seu tempo descobrirão que tudo quanto fizeram redundará no fim somente para a glória do meu trabalho'. No entanto, os Elfos creem que os Homens são muitas vezes um tormento para Manwë, que conhece quase todos os pensamentos de Ilúvatar, pois parece aos Elfos que os Homens se assemelham a Melkor, mais do que todos os Ainur, embora ele os tenha sempre receado e odiado, mesmo o que o serviram.

"É de acordo com este dom de liberdade que os filhos dos Homens só habitam vivos no mundo um curto espaço e não estão presos a ele; partem em breve, para onde não é do conhecimento dos Elfos (...) Mas os filhos dos Homens morrem deveras e deixam o mundo, razão pela qual são chamados Hóspedes, ou Estrangeiros. A morte é o seu destino, o dom de Ilúvatar, a morte que, à medidade que o tempo passa, a´te os poderes invejarão. Mas Melkor lançou sobre ela a sua sombra e confundiu-a com escuridão e do bem engendrou o mal e da esperança o medo. Contudo, os Homens se juntarão à segunda música dos Ainur..."

J.R.R. Tolkien, "O Silmarillion"

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Que céu, que nada. O negócio é ficar aqui!


Prometer o céu para uma pessoa que já vive um inferno na terra é totalmente cruel e alienador. Para quê prometer o céu pós-vida para alguém que está vivendo condenação e morte aqui e agora?

Condenação e vida eterna são estados, não, lugares. O tal “céu” que todos anseiam não é um lugar, é um estado! Assim como gelo não deixa de ser água só porque deixou o estado líquido para o sólido. Podem até ter nomes diferentes, podem até sofrer um processo físico para deixar um estado e passar para o outro, mas gelo é água. E continuará sendo. Independente do que você pensar, ou da definição que quiser dar, existem leis que não mudam. A da condenação e da vida eterna também é uma lei.

As pessoas estão esperando ir para o céu enquanto Deus está “empurrando-as” para a terra. A intenção original de Deus é que pudéssemos reinar aqui e agora. Eis onde mora um dos piores mal entendidos da religião: ela tem nos impulsionado há milênios a projetar nosso sentimento de plenitude para o pós-vida terrena, como se estivéssemos condenados a viver uma vida miserável na terra enquanto aguardamos a plenitude da vida eterna depois de “desencarnarmos”.

Sim, estamos mesmo condenados a uma vida miserável na terra, mas só até entendermos a mensagem de Jesus, ouvindo e crendo, e trazendo o Reino de Deus para cá. Só assim estaremos aptos a vivermos a plenitude da vida eterna aqui e agora.

A vida eterna não é consequência pós-vida terrena. Precisamos entender que a morte deste corpo material é só uma desencarnação, é o processo de despir-se da roupagem necessária para estar nessa dimensão material. Por isso é tão importante que cuidemos do nosso corpo material. Ele é a conexão que temos com o mundo material para reinarmos nele e sobre ele. Sem um corpo material não temos legitimidade sobre essa terra.

A vida eterna é agora, assim como a condenação é agora. Se Deus desejasse que o homem habitasse em um mundo totalmente espiritual como o pregado pela religião, ele não teria criado um mundo material e colocado o homem num corpo material para viver nele.

A vida eterna não tem conotação apenas de “infinita”, mas principalmente de absoluta. Na eternidade não existem o tempo e o espaço, os dois principais fatores que interferem na plenitude de um ser humano. Entendo que o “tempo” foi criado para o homem nessa dimensão para a contagem dos dias, para a gestão da terra e das estações, mas jamais teve o intuito de ser um maximizador da ansiedade.

Quando Jesus diz “não vos preocupeis com o dia de amanhã” está tocando no cerne da questão. Ele não deseja que tenhamos domínio sobre o tempo, sobre a eternidade, assim como não deseja que tenhamos domínio sobre outro da nossa espécie. Por isso, preocupar-nos com o futuro – ou ficarmos remoendo o passado – não faz parte do que Deus pretende para nós. O tempo foi feito em nossa função, mas de nenhuma forma criado para nossa gestão.

Ao contrário do tempo, o espaço foi feito para nossa administração. O espaço diz respeito ao nosso ambiente, a terra onde vivemos e seus recursos – o cerne de Gênesis 1:26. O mandato original de Deus para nós era que reinássemos sobre a terra, tendo domínio para geri-la de forma consciente, respeitosa e responsável, expandindo os limites desse reino até os confins da terra (mandato também dado por Jesus aos seus discípulos: “ide por todo mundo”).

Portanto, vida eterna, na verdade, é vida absoluta, ou constante, ou sem interferências externas. Sem influência do tempo sobre o espaço, pois tal influência deve ser exercida por nós, filhos do Rei. Sendo assim, a condenação é viver uma vida à margem do proposto pelo nosso Pai, no início de tudo.

É completamente inconcebível prometer uma vida pós-morte de plenitude, enquanto a vida aqui nesta terra é insuportável. Que alívio ou que conforto traz saber que existe uma vida pós-morte ao lado de um Deus benevolente e justo, se a dor de continuar vivo nessa terra é excruciante?
A promessa de uma vida eterna pós-morte não minimiza a condenação diária de pessoas. Viver o Reino, põe termo nela.

João 5:24 – Quem ouve e crê tem a vida eterna...

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quarta-feira, 17 de junho de 2009

Quem quer abdicar da felicidade levanta a mão!


De todas as coisas que abdicamos na vida por todas e quaisquer razões possíveis, a única que decididamente não podemos abdicar é da felicidade.

E isso é uma coisa que as pessoas não pensam no decorrer de seus caminhos pela vida, e abdicam de sua felicidade trabalhando enlouquecidamente, ou abdicam dela para ganhar muito dinheiro. Muitas delas abdicam em favor da pobreza e da doença, algumas por causa da religião que escolheram seguir, e tantas outras em favor da sua miséria de espírito, pois não sabem viver de outra maneira.

Mas raramente alguém abdica da tradição, que é a maior inimiga da graça de Deus. Nossas tradições, nossa maneira única de fazer as coisas são inimigas mortais das chances e oportunidades. E então, quando isso acontece, nossa individualidade já não soma, diminui.
Em latim, no grego e no hebraico, a palavra tradição significa resumidamente “desistir ou render-se”, e quando nos rendemos a uma vida repetitiva, nos entregamos à tradição, nos rendemos a um regime de vida já prescrito, seguimos a bula da constância, com medo de que qualquer movimento brusco interfira naquilo que achamos que é felicidade, mas que na verdade é só mesmice, mais do mesmo.

Quando a rotina se instala, seja ela em qualquer situação da vida, não podemos perder nunca o foco da graça de Deus, que constantemente gera mudanças em nós em favor da nossa felicidade. Quando tiramos os olhos de Deus e colocamos na rotina, nas concessões, na mesmice, nas tradições, estamos nos rendendo ao medo – e o medo paralisa.

Insanidade ou loucura é fazer a mesma coisa e esperar um resultado diferente
(Albert Einstein)

Então, todas essas concessões feitas com o passar dos anos podem nunca ser um limitador ou um transgressor da felicidade, porque esta é como cartão de crédito: pessoal e intransferível.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Que religião Jesus trouxe para a humanidade?

No contexto social de Jesus, judeu não era apenas alguém nascido dentro das fronteiras que delimitavam um país. Naquela época, eles já não eram "donos" de um espaço de terra há muito tempo. Após as várias conquistas de diversos impérios (Assírio, Persa, Babilônico, Grego e Romano), a cultura judaica estava ligada apenas às suas crenças e rituais. Apesar do povo estar concentrado na estreita faixa de terra de 850Km², à direita do Mar Mediterrâneo (legado deixado pelo Rei Salomão), os judeus não eram mais uma nação, apenas uma cultura.

Alguns séculos antes, o povo havia perdido suas propriedades, e estava debaixo do jugo Egípcio.

Nessa época, os hebreus também estavam resumidos à sua cultura e crença. Então, Deus, através de Moisés, os libertou e os conduziu à uma terra chamada Canaã: "desci a fim de livrá-los da mão dos egípcios e para fazê-lo subir daquela terra a uma terra boa e ampla, terra que mana leite e mel" (Gn. 5:8).

Um pouco antes disso, Deus chamou Abraão e lhe deu uma terra: "sai da tua terra (...) e vai para a terra que te mostrarei. de ti farei uma grande nação" (Gn. 12:1).

Anos antes, Deus abençoou Noé, dizendo: "Sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra" (Gn. 9:1).

E voltando aos primórdios, Deus fez Adão e Eva e abençoou-os dizendo: "tenha ele domínio (...) sobre toda a terra (...) Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a" (Gn. 1:26-28).

Deus, portanto, separou um povo e deu à ele terra. Esse povo, entretanto, criou um código de leis e baseado nele, formou um sistema de crenças e rituais estabelecidos como forma de se sentirem aptos de serem chamados filhos de Deus. Surge, então, uma religião.

Com base nisso, é possível dizer que Jesus, ao reestabelecer nossa aliança com Deus, deu ao homem uma nova religião?

Claro que não! Deus primeiramente deu (1) terra ao homem, e então, deu (2) autoridade para que exercecer domínio sobre ela. Essas são as duas únicas coisas que podemos reivindicar como sendo o legado de Jesus para seu povo.

A religião cristã, ou cristianismo, é apenas o resultado da má compreensão do que Jesus veio fazer.
A sua crucificação reestabeleceu a paternidade de Deus sobre nós, tornando-nos aptos a ter a terra de volta como herança. A sua ressurreição trouxe-nos de volta a autoridade intrínseca de ter a natureza divina em nós.

Então, por que vivemos querendo ir para o céu se lá não é nosso lugar?

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quarta-feira, 20 de maio de 2009

Procura-se uma coroa. Dá-se boa recompensa.


Todo mundo quer poder. Quem não quer? Eu quero. Ô, se quero.

Quero ter poder sobre as circunstâncias da minha vida, poder para mudar o ambiente à minha volta; poder para crescer, prosperar e ter uma vida feliz. Quero poder para liderar meu destino, minha história; poder para não ficar trancafiada no meu passado; poder para viver cada dia como se o futuro não existisse.

Poder é inerente ao ser humano. Independente da razão pela qual se quer exercer poder, desejá-lo não é ruim. Faz parte da nossa essência, do nosso substrato, nossa estrutura. Deus nos fez para dominar. Um olhar cuidadoso sobre Gênesis 1:26 (olha ele aqui de novo) mostrará isso. Nesse verso está o propósito e o motivo da existência da humanidade. E se não exercemos domínio, simplesmente estamos fora do foco.

Eu estou fora do foco. Pouquíssimas vezes tenho exercido o meu poder outorgado pelo meu Pai para controlar o que acontece à minha volta. Esses dias atrás, dois meninos de rua me abordaram para roubar minha bolsa. Tirando o fato deles serem metade do meu tamanho e não terem nenhum objeto em mãos que pudesse me machucar, eles tinham bastante autoridade na voz. O poder deles estava em meter medo. A única coisa que consegui fazer foi dizer para eles saírem da minha frente antes que eu arrebentasse os dois. O meu poder era a força.

Não sei se agi certo na minha abordagem. Sei que não entreguei aquilo que era meu.

Sei também que aquela situação é consequência de não exercer o "domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves do céu, sobre os animais selvagens, sobre toda a terra e sobre todo ser que rasteja" (versão Almeida Corrigida e Revisada) . É resultado de não ser, e me esforçar muito pouco para ser a imagem do meu Pai aqui, de ser semelhante a Ele aqui.

Quem conhece meu filho sabe que ele é a cara do meu marido. Será que eu sou a cara do meu Pai?

Será que meu estilo de vida reflete aquilo para o qual meu Pai me criou- expandir os domínios do Reino dele na Terra? Os cidadãos de um reino representam a glória de seu rei. A maneira como eles vivem reflete a maneira como o seu rei governa.

Se meu Pai, o Rei, é imutável, então tem alguma coisa errada em mim.




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domingo, 10 de maio de 2009

O lado esquerdo


Quando acabei de publicar a postagem anterior e fiquei pensando se talvez algumas pessoas não fossem pensar "preciso confiar mais em Deus".

Confiar não é a chave. Confiança é um sentimento. O dicionário define confiança como "Coragem proveniente da convicção do próprio valor; Esperança firme; Fé que deposita em alguém". A primeira definição tem a ver com autoestima; não com o amor de Deus por você, mas com o quanto você acredita nele a ponto de refletir no que você sente por si.

A segunda definição fala sobre esperança, que é um tipo de espera e só existe por causa do tempo. Sem tempo, as coisas tornam-se absolutas. A esperança também é um sentimento.

A terceira definição fala sobre um sentimento depositado em outrem. A definição clássica de Hebreus 11:1, "Ora, a fé é a certeza das coisas que se esperam e a convicção de fatos que não se vêm", não diz respeito à fé em Deus. A Bíblia não diz "ora, a fé em Deus é a certeza...". A fé é absoluta.

A relativização de Deus no nosso dia a dia é o que torna nossas vidas tão sem sentido. Na maioria das vezes, procuramos uma religião que nos faça sentir bem, nos faça sentir felizes, nos faça sentir satisfeitos, sentir plenos, sentir amados, sentir completos, sentir prósperos, sentir realizados, quando, na verdade, deveríamos SER felizes, SER satisfeitos, SER amados, SER prósperos, SER realizados.

O verbo SER não dá margem para relativização. O SER é absoluto. Deus é absoluto. Ele disse "Eu SOU o que SOU". Quando deixamos de ser para sentir estamos deixando a racionalidade de lado, passando a estar à mercê das nossas ocilações de humor.

Sentir é bom. Deus nos fez com sentimentos, fez com que os expressássemos das formas mais criativas que existem, mas nossos sentimentos nunca deveriam dar margem para que deixássemos de SER o que Deus é.

Cada dia que passa, mais me convenço de que meu relacionamento com Deus é totalmente racional. SER é uma decisão diária, assim como o amor e o perdão.

Resumindo: NÃO CONFIE EM DEUS. Apenas seja Deus.

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sábado, 9 de maio de 2009

Cadê a maçã?

Ninguém nunca disse que foi maçã, mas convencionou-se assim. Uma macieira com frutos vermelho reluzente ao sol preguiçoso das 8 da manhã realmente deve ser irresistível!

Mas o que deve ter sido tão irresistível a ponto de fazer com que comessem a "maçã"?

Estou cada vez mais convencida que os meus momentos de escuridão são resultado da minha escolha em não viver na luz. Pelas leis da Física, a escuridão não existe. Ela é simplesmente a ausência de luz, assim como o silêncio é a ausência de som, e o frio, do calor. Então, minhas trevas são efeito da minha separação da Luz, que é Deus.

Provar a tal macã era tomar uma decisão de independência com relação a Deus. Aquela fruta traria o "poder" de determinar o que era bom ou mal. Por isso a serpente declarou que eles passariam a ser como Deus. Mas ela não explicou que tal conhecimento, numa dimensão limitada pelo espaço e tempo, resultaria na ausência de Luz e Vida, trazendo escuridão e morte.
Quando determino o que é justo, bom e mal baseado em uma percepção limitada, na verdade estou me colocando no lugar de Deus; estou bradando minha própria abolição. Estou, lá no fundo, escolhendo algo totalmente alheio à Deus que é luz, e me colocando na pior escuridão possível.

É o que determino para mim que me põe longe de Deus. Não o contrário. Quando declaro independência de Deus, só posso contar comigo mesma, com as minhas limitações. Estou sozinha.

"A cadeia do corpo são os olhos; de sorte que, se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; Se, porém, os teus olhos forem maus, o teu corpo será tenebroso. Se, portanto, a luz que em ti há são trevas, quão grandes serão tais trevas" (Mateus 6:22-23)

Como alguém limitada como eu pode determinar o que é bom ou mal? Mas vivo fazendo e quando faço, estou tomando o lugar do meu Criador, tentando segurar a folha em branco da eternidade, e ter controle sobre o círculo do tempo.
E aí, você pergunta, como fazer para voltar atrás? Você já ouviu falar da pirâmide de Maslow? Ele foi um psicólogo americano que propôs uma hierarquia de necessidades que todo ser humano está subjugado. Veja abaixo:

A base da pirâmide são as necessidades básicas, é o que sustenta todos as outras. Em Mateus 6:25-34, Jesus me deu a resposta para não viver mais na escuridão, mexendo nesta base. Ele me disse "Olha, não se preocupe com o que você vai comer ou vestir porque se eu cuido dos passarinhos e dos lírios, quanto mais de você que é parte de mim e eu, parte de você! A vida é muito mais que roupas e comida, mas se estou dizedo para você não se preocupar com o mais básico de tudo, é porque não quero que você se preocupe com o restante também".

Eu tenho aprendido que se eu me preocupar com o futuro, estarei pressupondo a ausência de Deus vendo o todo da história. Se eu O tiro do meu futuro, estou tomando posse do rumo da história novamente, incorrendo em independência, morrendo sozinha no escuro...

Ele continua: "Não se preocupe com o futuro. Busque o meu Reino e o resto vem".

Cadê a maçã? Está à mão, mas não vou pegar.

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terça-feira, 5 de maio de 2009

Que tipo de imortal eu quero ser?


Durante muito tempo imaginei a eternidade como um lugar etéreo, fulgurante, cheio de glória (que parecia fumaça cheia de purpurina dourada). Lá, todos estariam tão estarrecidos com a presença de Deus que ficariam para sempre amortecidos diante dele, prostrados adorando.

Descobri depois que eternidade é um estado - sem começo, sem meio, sem fim. E, apesar de já ter ficado estarrecida com a presença de Deus, totalmente amortecida pela glória dele (mas sem fumaça cheia de purpurina dourada), percebi que ele não deseja absolutamente que sejamos vegetais adoradores. Para isso ele criou as rúculas.

Estive acostumada a imaginar nossa existência como um processo de três estágios: nascimento, vida e morte - não aplicáveis a Deus, claro! Claro??? Se somos deuses, por que deveria ser aplicado a nós?

Pois é. Que tipo de imortal quero ser quando deixar para trás essa porção finita de existência e passar a viver a eternidade em sua essência?

Milhares de coisas passaram pela minha cabeça antes de decidir que quero ser alguém que está nele e ele em mim. Submersa. Entregue. Como o jardim estava no Éden. Quero entender a onipresença dele de forma completa e estar mergulhada nela o tempo todo.

Deus sempre está comigo. Nem sempre eu decido estar com ele no meu espaço e tempo.

Por estar presente o tempo todo, Deus não "espera" que eu esteja com ele, porque "espera" tem a ver com tempo, e ele não está preso a isso. O tempo é um círculo desenhado em uma folha de papel em branco chamada eternidade, e ele tem essa folha em mãos. Nela desenhou esse círculo sem começo nem fim e me colocou dentro dele.

Por ter o tempo e a eternidade nas mãos, ele não me obriga a ter um relacionamento com ele, nem fica à espera disso. Ele sabe que cada passo, decisão e escolha que faço pode me tirar ou alimentar a consciência que tenho da presença dele me envolvendo e por isso, não fica surpreso quando erro ou acerto, nem nunca diz "como é que ela pôde fazer isso?", porque a surpresa pressupõe não saber o que irá acontecer, e ele já sabe. Ele não precisa ficar mais feliz ou mais orgulhoso a meu respeito, porque sou parte dele e não há nenhuma parte dele que ele não goste.

Ele não tem expectativas, e ao contrário do que pode parecer, a falta dela não é uma forma de apatia que grita "Ah! Eu já sei como a história termina". Para Deus, a história não termina e a sua constância revela a enormidade da sua graça comigo. Ele sabe exatamente quantos erros e quantos acertos cometerei na minha jornada rumo a um relacionamento perfeito com ele. E conforme vou comentendo-os, ele não diz com espanto "De novo?". Ele só se alegra por eu estar mais perto dele cada dia mais.

Saber que Deus não fica mais alegre ou mais triste conforme minhas decisões, me garante a liberdade que preciso para estar mais perto dele dia após dia, pois não tenho que superar as expectativas de um Deus com rígidos padrões morais.

"A vida custa um bocado de tempo e um monte de relacionamento" (Willie Young).

Quero ser uma imortal mergulhada nele e ele em mim. E que honra tê-lo mergulhado em mim.

terça-feira, 28 de abril de 2009

O lugar mais distante de Deus


É impressionante a força que nos atrai a Ele.

Não tem nada a ver com força no sentido de poder pujante, mas com jeito, com desejo de quem almeja profundamente um relacionamento com cada um de nós de forma única.

Esse assunto é bastante misterioso para a grande maioria das pessoas, e continuará assim enquanto cada uma delas continuar pensando sobre si como uma massa informe detentora de poderes sobre a história, cultura, sociedade, economia e religião, porque tenho aprendido que tudo o que Deus mais almeja de nós é justamente um relacionamento individual e dependente.

Ontem à noite, enquanto eu orava e pedia para Deus me ajudar a ter um relacionamento mais profundo com ele, percebi o quanto quero estar no controle de tudo e o quanto desejo profundamente entregar esse controle a Deus e não consigo.

Percebi que quando quero controlar as coisas quero viver no futuro, quero antever a história, a minha e de quem eu amo, quero certificar-me de que tudo sempre estará bem, como se eu pudesse de alguma forma, agindo bem e fazendo o certo, garantir que eu e quem amo estará feliz sempre. E isso é simplesmente impossível.

Deus me deu o presente de presente. Colocou-me aqui, nessa dimensão onde só posso viver o presente e, mesmo assim, na maior parte do tempo, quero me transportar para o futuro ou fico revivendo o passado, ruminando o que fiz de errado, gabando-me do que fiz certo, e revirando as gavetas empoeiradas dos "se".

Tenho percebido que nada do que eu faça de bom me faz ser mais aceita por Deus. Todos os meus contorcionismos cerebrais para ser "uma boa menina" só faz diferença para quem está aqui nessa dimensão. Mas a verdade é que Deus está se lixando com isso. Ele me ama e ponto. O que faço e o que deixo de fazer não faz a mínima diferença para ele.
Da mesma forma, o que faço de errado não me substitui no coração dele. Não tem nenhum check list de bom comportamento pregado atrás da porta da cozinha permeando minha atitudes. E ele não se afasta de mim quando erro. Certo e errado só existe para me fazer entender que eu não consigo viver pelas leis sem Deus. É humanamente impossível viver as leis sem depender e sem ter um relacionamento com Deus individual, profundo e sincero.

O lugar mais distante que posso estar dele é quando olho para dentro de mim mesma. Quando fico ensimesmada nos meus erros e nos meus acertos - como se essas regras não tivessem sido criadas justamente para mostrar que não sou nada sem ele. Fico longe quando deixo de olhar para ele e olho para minha auto-suficiência, para a minha independência.

Mas Deus não me vê pelos meus olhos, também sei que ele não me vê pela ótica cristã - tenho certeza que ele não é cristão; nem pelos olhos da minha família, do meu filho, dos meus amigos.
Ele tem um jeito especial de me olhar e continuamente deseja que eu me enxergue através dos seus olhos, porque sou parte dele e não há nenhuma parte dele que ele não ame profundamente.







segunda-feira, 27 de abril de 2009

O beijo de Deus

Aprender a pensar sobre as doutrinas cristãs é bem menos empolgante que sentir fisicamente a presença de Deus envolvendo-o com seus braços enormes de Pai protetor. Eu mesmo já tive várias experiências com Deus desse tipo.


Lembro-me que há alguns meses atrás, em meio a uma crise de enxaqueca realmente brava, deitei no chão do banheiro, debaixo do chuveiro, esperando que a água levasse embora a dor que eu sentia. Eu estava no escuro, fugindo da luz, e comecei a pedir para que Deus me tocasse naquele momento. Eu sou mãe e sei o quanto um beijo materno/paterno é capaz de sarar as dores de um filho. E ali, naquele momento, tive mais um encontro com Deus, profundo, tangível, e com muita dor.


Ao contrário do que o cristianismo delivery prega, minha dor não passou. Também não foi diminuindo aos poucos. Ela estava ali como o ribombar frenético de enormes gongos. O alívio não foi físico, foi emocional. Foi na minha alma. Eu sabia que Ele estava ali e que me dava beijos curadores, mas a dor latejou por horas.


Seus beijos trabalharam na minha fé infantil. Mas a minha dor era adulta e lacerante.
Mas como Lewis também fala em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”, “O cristianismo pretende falar-nos de um outro mundo, de algo que está por trás do mundo que podermos ver, ouvir e tocar”. Uma realidade paralela - e nem por isso abstrata e fantasmagórica - que convive com a matéria que inúmeras vezes cega nosso entendimento espiritual para as coisas que ultrapassam a existência humana da forma como a conhecemos.


O verdadeiro cristianismo não busca fazer o bem na esperança de alcançar o Paraíso, como se a salvação se resumisse na caridade no sentido mais raso possível - dar esmola e não fazer com outros o que não quer que seja feito consigo-, mas porque essas boas ações já são manifestações do Paraíso; são vislumbres daquela dimensão paralela; são decisões feitas em vida, nessa vida, que ecoam na eternidade.


Não há virtude nem ganho em querer barganhar com Deus, negociando a salvação com boas atitudes, porque tudo o que fazemos de bom, fazemos por causa da porção divina existente em nós, que provém dele, independente da crença que cada um possui. No fundo estamos apenas devolvendo uma diminuta porção do todo existente nele. Estamos, na verdade, cumprindo uma parcela ínfima do propósito pelo qual fomos criados, e isso não tem a ver com religião. Tem a ver com quem somos na essência, porque até homens incrivelmente maus e cruéis demonstram sinais de bondade, seja poupando uma vida, seja dizendo um obrigado.


Vale a pena entender um pouco mais sobre os beijos de Deus atrávés do livro A cabana, de William P. Young (Ed. Sextante). Ficção ou não, fica aí a deixa. Na Saraiva.com.br de R$ 24,90 por R$ 14,00

sexta-feira, 27 de março de 2009

Eternidade Vs. Morte

Para morrer basta estar vivo?


Uma coisa me intriga muito: o medo estarrecedor da morte que permeia a todos. Confesso que mesmo "conhecedora" do que me espera logo após a passagem, fiquei petrificada quando encarei a morte iminente. Minha razão sabe que a minha porção divina aguarda ansiosamente a eternidade, mas meu coração não está preparado para encarar o fim disso aqui que chamo de vida, seja a minha, seja de alguém que amo.


A primeira menção de morte Cor do textona Bíblia é em Gn. 2:17 "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás".


A palavra "morrer" do original hebraico "muwth" (Strong´s #4191) tem alguns significados interessantes e é uma palavra primitiva, não tendo raiz: morrer, matar; ser executado; ser posto à morte; perecer; morrer prematuramente (por negligência).


Morte era uma condição conhecida ou era algo completamente novo para Adão e Eva?


No livro "Além do Planeta Silencioso", de C.S. Lewis, há um diálogo muito interessante entre uma criatura terráquea e uma malacandriana a respeito de como os humanos lidam com a morte: "[vocês] são suficientemente inteligentes para se aperceberam da morte iminente da espécie, mas não suficientemente inteligentes para a aceitarem (...) Nem o membro mais fraco do meu povo receia a morte. É o Maléfico, o Senhor do vosso mundo, quem desperdiça as vossas vidas e lhes deturpa o sentido, levando-os a fugirem do que sabem que no fum, acabará por os subjugar. Se o vosso Senhor fosse Maleldil (Deus), vocês teriam paz (...) Maleldil não criou os hnau (humanos) para viverem eternamente".


A morte como conhecemos, é resultado do pecado. Romanos 5:12 conclui como "essa morte" entrou no mundo: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram"


Pecar, tanto no hebraico (chattah´ah) como no grego (hamantia), tem raízes com o mesmo significado: perder a marca, entre outros. Mas a base da raiz em grego tem um outro significado muito interessante também: "parte constituinte do todo, qualquer particular" - interessante perceber que quando eu perco a marca, na verdade estou priorizando o meu particular, incorrendo no mesmo "comércio" em que Lúcifer incorreu.


Não obstante, é óbvio que não há lugar suficiente na terra que comporte, desde os primórdios, a quantidade de seres humanos nascidos, se todos fossem santos.


E então, acredito que a passagem seria algo como aconteceu com Jesus após sua ressurreição. A "morte" seria uma ascenção, já que sem o pecado, nossos corpos teriam a natureza dupla como a de Jesus ressurreto, com propriedades materiais - como a necessidade de alimentar seu corpo natural- , e propriedades espirituais - como atravessar paredes e movimentar-se instantaneamente como a velocidade da luz.

Dessa maneira, a "morte" não seria um mistério. Não seria um ponto final, apenas uma reticências. Seria a continuação espiritual daquilo que foi feito aqui no mundo da matéria: "E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas" (Ap. 21:4).






Acho que é isso...

domingo, 22 de março de 2009

O recomeço

Como minha intenção não é fazer apologia a um assunto, nem ser demagoga, só vou falar daquilo que a páscoa significa pra mim, de verdade, que é a morte e a ressurreição de Jesus. Algumas pessoas não acreditam em Deus. Outras seguem e cultuam outras divindades, mas nenhuma delas põe à prova a existência de Jesus. Então é sobre Ele que eu vou falar, com ou sem chocolate.


"...desvendou-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito que propusera em Cristo, de fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as que estão no céu como as na terra..." (Ef. 1:9-10)



Pensar que o ápice da vinda de Cristo é sua morte é limitar o propósito de Deus para sua criação, há que este fato revela apenas o desejo de Deus em fazer morrer em nós a natureza terrena: "E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef. 2:1-5).


Mas o que adianta fazer morrer a natureza terrena e não nos dar uma nova?


Esta nova natureza é decorrente da sua ressurreição que conquistou para nós a posição de seres genuinamente divinos: "e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus" (Ef. 2:6), não por compartilharmos sua essência, mas por adoção: "nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade" (Ef. 1:5).

Lá atrás, Deus nos criou à sua imagem para que nossos corpos fossem incorruptíveis. Criou-nos à sua imagem para que fôssemos extensão da sua glória. E soprou em nós o Seu Espírito para que tivéssemos domínio sobre a Terra. Esse é o grande mistério da nossa existência e da Sua ressurreição. O recomeço nada mais é do que nos levar de volta à essas três condições de vivência.

Jesus voltou para que o Espírito pudesse habitar em todo ser humano e, dessa maneira, o Reino de Deus fosse implantado em todo o mundo. Esse é o nosso retorno ao Éden, à nossa condição de Reis e Rainhas, de dominadores sobre tudo que existe, conforme Gênesis 1:26.

sexta-feira, 20 de março de 2009

O Começo e o Fim


Desde sempre há uma preocupação com o fim.

A religião atravessou esses dois mil anos desbravando o medo das pessoas pelos acontecimentos futuros, perseguindo e tiranizando o presente como moeda de aceitação divina. Conclusão, pessoas incapazes de exercerem governança sobre suas próprias vidas e sobre este mundo, deixando ao encargo da igreja (e aqui leia-se qualquer credo ou denominação) a condução de suas vidas.

Em parte, tornou-se cômodo para ambas as partes: O medo torna-se poder nas mãos de quem o imputa e exume de culpa a quem é imputado.

Do Apóstolo João a Nostradamus, as revelações Bíblicas sempre exerceram fascínio. Ter o conhecimento dos fatos correndo na linha do tempo ameniza a ansiedade de alguma forma e permeia nossas vidas de poder sobre o rumo da história.

Mas será que a vinda de Jesus tinha o propósito apenas de nos preparar para o Vindouro? Será que seus ensinamentos validaram o presente apenas como tíquete de entrada no Céu? Será que sua vinda, seu vida, sua morte e ressurreição tratam-se e resumem-se à salvação da danação eterna?

A resposta está no início e não no fim.

Como disse na postagem anterior, o propósito de Deus para a humanidade foi determinada na Eternidade, uma dimensão de absolutos. A intenção de Deus de que o homem exercesse domínio sobre o mundo visível não pode mudar porque foi estabelecido no absoluto: "E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra" (Gn. 1:26).

Então, por que Deus “expulsou” o homem dessa dimensão? Simplesmente, porque nela não existia a chance de redenção. Numa dimensão de absolutos, uma vez longe de Deus, para sempre longe de Deus; uma vez despido da glória de Deus, para sempre exposto à natureza corruptível; uma vez escolhida o caminho de Lúcifer, para sempre o homem seria escravo dele.

Como disse anteriormente, a palavra "nudez" e a palavra "sagaz" vêm da mesma raiz hebraica('eyrom) que quer dizer "ser sutil, ser sagaz, ser astuto". O homem tornou-se sagaz ao ter uma relação com aquela que era sagaz, a serpente.

A raiz da palavra "serpente"(Hb) significa "aprender por experiência", entre outros significados. Posso dizer então que, aquele que teve a experiência de se tornar sagaz, passou sua semente para o homem dando a ele a sua natureza sagaz.

A “nudez” fez o homem perceber a imutabilidade da sua condição: “Então, disse o Senhor Deus: Eis que o homem se tornou como um de nós, conhecedor do bem e do mal; assim, que não estenda a mão, e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. O Senhor Deus, por isso, o lançou fora do jardim do Éden, a fim de lavrar a terra de que fora tomado” (Gn. 3:22-23)

Da mesma forma que Lúcifer não podia se arrepender, o homem também não poderia. A diferença é que Deus nos formou à sua imagem e semelhança. Não éramos simples criaturas, éramos a extensão dEle no mundo visível. Filhos possuidores da Sua natureza.

Permanecendo no Éden após ter escolhido a natureza da serpente, o homem estaria impedido para sempre de exercer o propósito da sua existência: a Governança sobre o mundo visível.

Expulsar-nos de lá foi um ato de amor. Jesus veio para restaurar a posição que perdemos no Éden.


quinta-feira, 19 de março de 2009

O Começo de Tudo


Volta e meia estou de braços dados com o início de tudo. Penso que se eu entender o princípio serei capaz de manipular meu tempo/espaço.

Essa frase tem mesmo o propósito de ser um tanto metafísica porque eu também creio que no princípio a eternidade exercia uma influência diferente sobre nossos corpos do que é hoje em dia.
O começo de tudo parece simples. Um grande Ser poderoso que resolveu compartilhar sua glória, poder e amor com seres bastante corruptos, tacanhos e mesquinhos.

A verdade é que no início, esses seres, apesar da parcela finita que compartilhavam com o Universo, eram revestidos da incorruptibilidade da graça desse Ser e, por vontade e desejo próprios, escolheram despir-se dela e ficarem nus.

"Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si" (Genesis 3:7)

A raiz da palavra "nudez" em hebraico significa "ser sutil, sagaz, astuto".

Eles, literalmente, esvaziaram-se da presença de Deus e perceberam que tinham a natureza da serpente:

"Mas a serpente, mais sagaz que todos os animais selváticos que o Senhor Deus tinha feito..." (Gn. 3:1).

Mas Deus, em sua maravilhosa graça, recobriu aquela natureza de serperte do homem com o sangue e a pele de cordeiro fazendo menção ao sacrifício de Jesus que viria na plenitude dos tempos: "Fez o Senhor Deus vestimenta de peles para Adão e sua mulher e os vestiu" (Gn. 3:20)
Traçando um paralelo - e correndo o risco de errar assustadoramente - Jesus fez o mesmo movimento, mas com princípios diferentes:

"De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens. E, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz" (Fl. 2:5-8)

Tanto o homem quanto Jesus escolheram despirem-se da glória de Deus. Um para provar de um poder que já era seu. O Outro para trazer-nos de volta à posição que já era nossa.

Quando o homem esvaziou-se de Deus, passou a ser servo, teve que humilhar-se e teve que ser obediente à natureza da serpente até a morte.

"Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne? Será em vão que tenhais padecido tanto? Se é que isso também foi em vão (...) Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio. Porque todos sois filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus. Porque todos quantos fostes batizados em Cristo já vos revestistes de Cristo" (Gl. 3)

Nessa dimensão temporal em que vivemos é impossível despir-se da natureza da serpente, porque a escolha foi feita dentro da eternidade, que é uma dimensão de absolutos. É por isso que o sacrifício de Jesus não anula a natureza carnal, é por isso que "não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim" (Rm. 7:19-20).

Entretanto, existe um ponto importante que não é lembrado: O Propósito do Homem foi determinado antes da sua nudez. Isso quer dizer que ele também foi estabelecido na dimensão de absolutos e, mesmo vivendo na dimensão temporal fora do Éden, ele continua apto a exercer seu propósito:

"E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.
E criou Deus o homem à sua imagem: à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.
E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.
E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto." (Gn. 1: 26-31)

A natureza da serpente não é a nossa natureza principal. É a nossa escolha.
Nossa natureza continua sendo divina, mesmo que sem Jesus estejamos vestidos da natureza da serpente.

Escolhendo revestirmo-nos da natureza de Cristo, voltamos à nossa condição original. Esse é o nosso princípio. O começo de tudo.

Abraços.