
Minha amiga Anna Kau, queridíssima, postou o seguinte comentário sobre a postagem "Deixe Deus dormir":
"Estou começando a ver como colocamos Deus fora da gente. Veja só: até quando nos despedimos, dizemos "fica com Deus", como se fosse realmente possível Ele estar fora e precisar ser colocado dentro. Sempre se diz que devemos ter Deus no coração, que nosso corpo é Seu templo, mas na verdade estamos sempre tratando e falando dele como se estivesse fora. Quanto mais penso sobre isso, mais percebo o quanto Ele esteve e está aqui, o tempo todo, não comigo, mas EM MIM, não contigo, mas EM TI!"
Nem preciso dizer o quanto é real, reveladora e assustadora essa verdade. Quando pensamos em Deus como alguém onipresente, pensamos nos lugares que Ele pode estar ao mesmo tempo, por isso, sempre desejamos estar com Ele. Alguém que pode estar comigo, ou com você em todos os momentos das nossas vidas, em qualquer lugar que estejamos.
Mas o que quero dizer aqui é que "presença" não se trata de espaço, de lugar, de aqui e acolá. Trata-se de "existência", da existência de Deus em mim - do verbo SER e não do verbo ESTAR.
Se penso em Deus como alguém que ESTÁ comigo, isso quer dizer que, eventualmente, eu posso deixar de estar com Ele. Posso desejar que a presença dele não esteja próxima à minha presença. Posso até presumir que Ele está em um lugar que eu não consigo alcançar, ou até entender que eu até posso estar em lugares onde Ele nunca estaria.
Mas se penso que Deus "é" em mim, deixo de ser uma entidade separada dele, para viver submersa nEle e Ele em mim. É uma fusão. [Por isso o sexo é tão bonito, sagrado e completo, pois nesse ato, dois corpos, espíritos e almas estão se fundindo - e essa experiência, que deveria ser a mais próxima daquilo que acontece entre nós e Deus, muitas vezes, é a que mais nos afasta dele].
Quando Deus diz a primeira vez "Eu sou o que sou", no original hebraico "hayah hayah", todo o sentido está em ser, existir. Como disse na postagem anterior, o nome é idêntico ao ser que ele designa. Seria mais ou menos isso: Meu nome é Sofia, e significa "sabedoria" em grego. Eu deveria, portanto, ser a personificação da sabedoria - mas não sou.
E como seria então a personficação do verbo SER? "Ele é antes de todas as coisas. Nele tudo subsiste. (...) porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, que sobre a terra, quer nos céus. E a vóz outros também que, outrora, éreis estranhos e inimigos no entendimento pelas vossas obras malignas, agora, porém, vos reconciliou no corpor da sua carne, mediante a sua morte, para apresentar-vos perante ele santos, inculpáveis e irrepreensíveis..." (Cl 1:13-22).
Eu sou a personificação de Deus - ou pelo menos caminho para o alvo. Não quero ser um "corpo estranho" dentro de Deus, e não quero que Ele se sinta assim dentro de mim.
Quero que o meu "é" seja uma coisa só com o "é" dele... se é que me entende....
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