
Durante muito tempo imaginei a eternidade como um lugar etéreo, fulgurante, cheio de glória (que parecia fumaça cheia de purpurina dourada). Lá, todos estariam tão estarrecidos com a presença de Deus que ficariam para sempre amortecidos diante dele, prostrados adorando.
Descobri depois que eternidade é um estado - sem começo, sem meio, sem fim. E, apesar de já ter ficado estarrecida com a presença de Deus, totalmente amortecida pela glória dele (mas sem fumaça cheia de purpurina dourada), percebi que ele não deseja absolutamente que sejamos vegetais adoradores. Para isso ele criou as rúculas.
Estive acostumada a imaginar nossa existência como um processo de três estágios: nascimento, vida e morte - não aplicáveis a Deus, claro! Claro??? Se somos deuses, por que deveria ser aplicado a nós?
Pois é. Que tipo de imortal quero ser quando deixar para trás essa porção finita de existência e passar a viver a eternidade em sua essência?
Milhares de coisas passaram pela minha cabeça antes de decidir que quero ser alguém que está nele e ele em mim. Submersa. Entregue. Como o jardim estava no Éden. Quero entender a onipresença dele de forma completa e estar mergulhada nela o tempo todo.
Deus sempre está comigo. Nem sempre eu decido estar com ele no meu espaço e tempo.
Por estar presente o tempo todo, Deus não "espera" que eu esteja com ele, porque "espera" tem a ver com tempo, e ele não está preso a isso. O tempo é um círculo desenhado em uma folha de papel em branco chamada eternidade, e ele tem essa folha em mãos. Nela desenhou esse círculo sem começo nem fim e me colocou dentro dele.
Por ter o tempo e a eternidade nas mãos, ele não me obriga a ter um relacionamento com ele, nem fica à espera disso. Ele sabe que cada passo, decisão e escolha que faço pode me tirar ou alimentar a consciência que tenho da presença dele me envolvendo e por isso, não fica surpreso quando erro ou acerto, nem nunca diz "como é que ela pôde fazer isso?", porque a surpresa pressupõe não saber o que irá acontecer, e ele já sabe. Ele não precisa ficar mais feliz ou mais orgulhoso a meu respeito, porque sou parte dele e não há nenhuma parte dele que ele não goste.
Ele não tem expectativas, e ao contrário do que pode parecer, a falta dela não é uma forma de apatia que grita "Ah! Eu já sei como a história termina". Para Deus, a história não termina e a sua constância revela a enormidade da sua graça comigo. Ele sabe exatamente quantos erros e quantos acertos cometerei na minha jornada rumo a um relacionamento perfeito com ele. E conforme vou comentendo-os, ele não diz com espanto "De novo?". Ele só se alegra por eu estar mais perto dele cada dia mais.
Saber que Deus não fica mais alegre ou mais triste conforme minhas decisões, me garante a liberdade que preciso para estar mais perto dele dia após dia, pois não tenho que superar as expectativas de um Deus com rígidos padrões morais.
"A vida custa um bocado de tempo e um monte de relacionamento" (Willie Young).
Quero ser uma imortal mergulhada nele e ele em mim. E que honra tê-lo mergulhado em mim.
Um comentário:
pra vc um 'dever'. Pra nós, que nem sempre conseguimos sentir esse carinho, um prazer em senti-los por suas mãos!
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