segunda-feira, 27 de abril de 2009

O beijo de Deus

Aprender a pensar sobre as doutrinas cristãs é bem menos empolgante que sentir fisicamente a presença de Deus envolvendo-o com seus braços enormes de Pai protetor. Eu mesmo já tive várias experiências com Deus desse tipo.


Lembro-me que há alguns meses atrás, em meio a uma crise de enxaqueca realmente brava, deitei no chão do banheiro, debaixo do chuveiro, esperando que a água levasse embora a dor que eu sentia. Eu estava no escuro, fugindo da luz, e comecei a pedir para que Deus me tocasse naquele momento. Eu sou mãe e sei o quanto um beijo materno/paterno é capaz de sarar as dores de um filho. E ali, naquele momento, tive mais um encontro com Deus, profundo, tangível, e com muita dor.


Ao contrário do que o cristianismo delivery prega, minha dor não passou. Também não foi diminuindo aos poucos. Ela estava ali como o ribombar frenético de enormes gongos. O alívio não foi físico, foi emocional. Foi na minha alma. Eu sabia que Ele estava ali e que me dava beijos curadores, mas a dor latejou por horas.


Seus beijos trabalharam na minha fé infantil. Mas a minha dor era adulta e lacerante.
Mas como Lewis também fala em seu livro “Cristianismo Puro e Simples”, “O cristianismo pretende falar-nos de um outro mundo, de algo que está por trás do mundo que podermos ver, ouvir e tocar”. Uma realidade paralela - e nem por isso abstrata e fantasmagórica - que convive com a matéria que inúmeras vezes cega nosso entendimento espiritual para as coisas que ultrapassam a existência humana da forma como a conhecemos.


O verdadeiro cristianismo não busca fazer o bem na esperança de alcançar o Paraíso, como se a salvação se resumisse na caridade no sentido mais raso possível - dar esmola e não fazer com outros o que não quer que seja feito consigo-, mas porque essas boas ações já são manifestações do Paraíso; são vislumbres daquela dimensão paralela; são decisões feitas em vida, nessa vida, que ecoam na eternidade.


Não há virtude nem ganho em querer barganhar com Deus, negociando a salvação com boas atitudes, porque tudo o que fazemos de bom, fazemos por causa da porção divina existente em nós, que provém dele, independente da crença que cada um possui. No fundo estamos apenas devolvendo uma diminuta porção do todo existente nele. Estamos, na verdade, cumprindo uma parcela ínfima do propósito pelo qual fomos criados, e isso não tem a ver com religião. Tem a ver com quem somos na essência, porque até homens incrivelmente maus e cruéis demonstram sinais de bondade, seja poupando uma vida, seja dizendo um obrigado.


Vale a pena entender um pouco mais sobre os beijos de Deus atrávés do livro A cabana, de William P. Young (Ed. Sextante). Ficção ou não, fica aí a deixa. Na Saraiva.com.br de R$ 24,90 por R$ 14,00

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